1
de
abril

Guardo tudo que passa, ou melhor, nada vai embora porque não deixo. Viro guardiã de tudo que existe, numa pretensão sem sentido ou por quê.
Sofro a tristeza, lamento a falta de inspiração da alegria (será o amor, a completude, algo que pode emburrecer?). Então, entro em culpa e, de certa maneira, sinto alÃvio por ter encontrado problema para pensar.
Mas não é nada disso. A cada parágrafo fica claro que não tenho nada a dizer: só a sentir. Sinto muito. Sinto o amor que vai embora, sinto o que é recente, sinto a imbecilidade dos outros, sinto a estupidez dos meus atos, sinto as imagens que aparecem, sinto as que eu mesma crio, sinto os presentes que recebo, sinto os objetos que guardo.
Sinto muito. Lamento não ter cabeça maior para segurar em mim. Tal qual um computador empanturrado de arquivos, sou lenta, incompetente. Consigo apenas apagar pequenas frações de existência para capturar novas e fazer, dessa maneira, com que a permanência de todas em mim seja sempre dolorido e equivocado.
Não sei escolher o que manter e não tenho espaço para tudo que vivo.
24
de
setembro
Pare. Ar… Ar… Lista vã, rente. Ex. Ai… Crê.
Pare. Ar… Ar… Lista vã, rente. Ex. Ai… Crê.
24
de
setembro
Pare. Ar… Ar… Lista vã, rente. Ex. Ai… Crê.

Pare. Ar… Ar… Lista vã, rente. Ex. Ai… Crê.
23
de
setembro

Senhor, traz força para despertar,
pois a forca não tarda a me dar assombro.
Permanecer nesse sono ruim, é ainda mais sereno
que começar o processo de um dia.
Senhor, me faça acreditar em sua presença,
pois sempre acho que sou eu quem te cria.
Penso esse diálogo como confirmação,
minha maneira de te afirmar.
(Mas não seria isso também invenção?)
Senhor, me traga fé,
para que essa oração seja destinada à ti,
e não à minha alma triste e solitária,
que pensa dar conta de si, para abandonar-se.
Senhor, sê dono de mim,
pois tenho plena consciência
que foste criado à minha imagem e semelhança.
Senhor, me liberte de acordar.
11
de
agosto

Se eu soubesse escrever, diria que a falta de sono, combinada a tanto cansaço, é o que mantém minha vida inútil pois, até para morrer, é necessário esforço. Esforço que seria suficiente para terminar um namoro neurótico, parar de fumar e brigar menos com as pessoas. Se eu soubesse escrever, teria um blog assinado, mais dinheiro para pagar a análise e, talvez, menos falsos problemas. Se eu soubesse escrever, não teria angústias em vão, nem saudade de todos. Se eu soubesse escrever, não seria sombra de mim mesma. Eu não seria de ninguém.
26
de
fevereiro

O que fazer quando queremos o que não nos faz bem? De que maneira negar ao nosso corpo o que desejamos com tanta intensidade? Como agir diante de nossos vícios?
Há quatro longos anos estou imersa em um namoro - cheios de indas e vindas - que não é nada diferente de todos os deliciosos cigarros cancerígenos que fumo todos os dias, cheia de prazer e, logo em seguida, de culpa e medo. Considerando a frase: "A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício é quando se tem o prazer seguido da dor." (Margaret Mead), preciso admitir que, em verdade, sou covarde para enfrentar o desespero da ausência. Sempre enfraqueço diante do desafio de deixar morrer. A terra prometida, ou seja, onde tudo isso passa; onde o vazio é preenchido por outra pessoa, parece muito distante, doloroso e difícil demais para conquistar.
O vício é quando arrumamos as maiores desculpas para continuar, mesmo que mate. Covardia é quando enxergamos tudo isso e escolhemos ficar no mesmo lugar, ainda que haja possibilidades incríveis à nossa frente. Mas como arriscar beber daquele oásis distante que sequer sabemos se é uma miragem ou não?
Vícios. Como não tê-los? Mas, ao tê-los, como não mantê-los?