QUASE MENTIRA

Tudo aqui é quase uma mentira. Quase. Entre e fique a vontade para ler e dizer.

1

de
abril

Disco Rígido

Guardo tudo que passa, ou melhor, nada vai embora porque não deixo. Viro guardiã de tudo que existe, numa pretensão sem sentido ou por quê.

Sofro a tristeza, lamento a falta de inspiração da alegria (será o amor, a completude, algo que pode emburrecer?). Então, entro em culpa e, de certa maneira, sinto alívio por ter encontrado problema para pensar.

Mas não é nada disso. A cada parágrafo fica claro que não tenho nada a dizer: só a sentir. Sinto muito. Sinto o amor que vai embora, sinto o que é recente, sinto a imbecilidade dos outros, sinto a estupidez dos meus atos, sinto as imagens que aparecem, sinto as que eu mesma crio, sinto os presentes que recebo, sinto os objetos que guardo.

Sinto muito. Lamento não ter cabeça maior para segurar em mim. Tal qual um computador empanturrado de arquivos, sou lenta, incompetente. Consigo apenas apagar pequenas frações de existência para capturar novas e fazer, dessa maneira, com que a permanência de todas em mim seja sempre dolorido e equivocado.

Não sei escolher o que manter e não tenho espaço para tudo que vivo.

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