QUASE MENTIRA

Tudo aqui é quase uma mentira. Quase. Entre e fique a vontade para ler e dizer.

24

de
agosto

Inspirada em uma cidade invisível

Não existe mulher mais disposta a estar bem do que ela. Aliás, não admite suas tristezas e aflições. Assim, resolveu criar uma cópia idêntica a si que fica armazenada em seu submundo particular (para não chamar de subconsciente e deixar algum psicólogo furioso). Só que essa cópia da mulher mantém apenas o que ela considera ideal. Dessa maneira, ela se divide em duas: a real e a ideal; ou a viva e a morta.

É evidente que na mulher ideal/morta há mais coragem que na real/viva, há mais afirmação, mais sabedoria, nenhum ressentimento. Assim, no final das contas, a mulher ideal/morta é muito mais bacana que a real/viva, ainda que ambas sejam verdadeiras.

Agora, dizem que toda vez que encontram a ideal/morta, ela sofreu modificações, como se não fosse simplesmente o que restou do filtro da mulher original. Dizem ainda que quando a mulher real/viva soube disso, não quis ficar para trás e começou a fazer tudo que a ideal/morta faz. Dizem que isso não começou agora: que na realidade sempre foi a mulher ideal/morta quem influenciou a real/viva.

De fato, quando encontramos essa mulher, não há como saber se é a real ou a ideal; se está viva ou morta.

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12 Comentários »

  1. Comentário por SanHermano — 27 de agosto de 2007 (20:05)

    Ambigüidades da mulher. Dúvidas humanas recorrentes. Sou homem e me vi refletido também. Estou gostando muito do seu Blog. Continuarei acompanhando.

  2. Comentário por telma_ — 30 de agosto de 2007 (9:55)

    Olá…
    Antes de mais um muitissimo obrigado pelo seu comentário.
    Também gostei muito dos seus textos. Você escreve muito bem, nunca substime essa capacidade.
    De certo passarei por cá com frequência.
    Beijo
    Até breve…

  3. Comentário por rafa — 30 de agosto de 2007 (12:55)

    Olá adorei seu jeito de ver as coisas! parabens! abraços

  4. Comentário por Lile — 30 de agosto de 2007 (14:02)

    Adorei. Me senti lendo Calvino, um autor que eu gosto muito. Gostei da reflexão, do estilo. Enfim… passa a ser um endereço quase obrigatório pra mim, a partir de agora.

    Bjo

  5. Comentário por Thaysa — 30 de agosto de 2007 (19:03)

    Mentiras sinceras me interessam.

  6. Comentário por Jônathas — 1 de setembro de 2007 (19:43)

    Uma comparação generosa, essa!
    Entretanto, um tanto egoísta… Não que eu tenha ficado ofendido, mas esse sentimento sádico, que nos acomete a todos, e faz com que nos compraza, todos texto e letra que escrevam os sentimentos alheios, muitas vezes podem nos fazer pecar pela falta, e não pelo escesso!

    Entretanto, essa mulher ideal que você mencionou a cima, embora você não entenda, é tão real quanto a outra!

    Gostei de você!

    Beijo!

  7. Comentário por Intense — 1 de setembro de 2007 (22:57)

    fiquei confusa.

    quase verdade isso.

    quase.

  8. Comentário por Zé Maria — 3 de setembro de 2007 (13:24)

    Muito bom!!!!!
    Gostei demais!
    Afinal não estamos todos nós sempre buscando ser o ideal do Eu?!?!
    Mas de fato isso nunca será alçado…
    Nosso eu ideal estará sempre fadado a morte…

  9. Comentário por Thaysa — 3 de setembro de 2007 (19:47)

    Nossa, quantos elogios!
    To me sentindo ;) Brincadeira…muito obrigada.
    Vou dar uma olhada nos seus arquivos pra poder retribuir a altura o comentário.
    Bjs

  10. Comentário por Lile — 17 de setembro de 2007 (20:38)

    Ainda sobre o Calvino: um dos livros mais interessantes que li dele foi “Se um viajante numa noite de inverno”. Além da história em si, no posfácio ele entrega de bandeja um processo criativo que me deixou extasiada. Sim, ele é o cara!

    Inté!

  11. Comentário por RAfa — 21 de setembro de 2007 (13:33)

    Ser ou não ser é a questão que nos persegue implacavelmente e não há como fugir. A aceitação do verdadeiro eu é, mesmo que doa, prenúncio de paz interior. E paz é o que se precisa, é o que se quer.
    Grande abraço!

  12. Comentário por rafa — 20 de junho de 2008 (14:08)

    Adoro te ler! tava com saudades já!

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