24
de
agosto
Inspirada em uma cidade invisÃvel
Não existe mulher mais disposta a estar bem do que ela. Aliás, não admite suas tristezas e aflições. Assim, resolveu criar uma cópia idêntica a si que fica armazenada em seu submundo particular (para não chamar de subconsciente e deixar algum psicólogo furioso). Só que essa cópia da mulher mantém apenas o que ela considera ideal. Dessa maneira, ela se divide em duas: a real e a ideal; ou a viva e a morta.
É evidente que na mulher ideal/morta há mais coragem que na real/viva, há mais afirmação, mais sabedoria, nenhum ressentimento. Assim, no final das contas, a mulher ideal/morta é muito mais bacana que a real/viva, ainda que ambas sejam verdadeiras.
Agora, dizem que toda vez que encontram a ideal/morta, ela sofreu modificações, como se não fosse simplesmente o que restou do filtro da mulher original. Dizem ainda que quando a mulher real/viva soube disso, não quis ficar para trás e começou a fazer tudo que a ideal/morta faz. Dizem que isso não começou agora: que na realidade sempre foi a mulher ideal/morta quem influenciou a real/viva.
De fato, quando encontramos essa mulher, não há como saber se é a real ou a ideal; se está viva ou morta.

