26
de
fevereiro
VÃcios.

O que fazer quando queremos o que não nos faz bem? De que maneira negar ao nosso corpo o que desejamos com tanta intensidade? Como agir diante de nossos vícios?
Há quatro longos anos estou imersa em um namoro - cheios de indas e vindas - que não é nada diferente de todos os deliciosos cigarros cancerígenos que fumo todos os dias, cheia de prazer e, logo em seguida, de culpa e medo. Considerando a frase: "A virtude é quando se tem a dor seguida do prazer; o vício é quando se tem o prazer seguido da dor." (Margaret Mead), preciso admitir que, em verdade, sou covarde para enfrentar o desespero da ausência. Sempre enfraqueço diante do desafio de deixar morrer. A terra prometida, ou seja, onde tudo isso passa; onde o vazio é preenchido por outra pessoa, parece muito distante, doloroso e difícil demais para conquistar.
O vício é quando arrumamos as maiores desculpas para continuar, mesmo que mate. Covardia é quando enxergamos tudo isso e escolhemos ficar no mesmo lugar, ainda que haja possibilidades incríveis à nossa frente. Mas como arriscar beber daquele oásis distante que sequer sabemos se é uma miragem ou não?
Vícios. Como não tê-los? Mas, ao tê-los, como não mantê-los?

